O Colunista

O Colunista Contact information, map and directions, contact form, opening hours, services, ratings, photos, videos and announcements from O Colunista, Mercearia, .

𝗨𝗺 𝗼𝗹𝗵𝗮𝗿 𝗮𝗼 𝗔𝘁𝗮𝗾𝘂𝗲 𝗱𝗼𝘀 𝗘𝗨𝗔 𝗲 à 𝗖𝗮𝗽𝘁𝘂𝗿𝗮 𝗱𝗲 𝗡ic𝗼𝗹𝗮𝘀 𝗠𝗮𝗱𝘂𝗿𝗼Professor Adilson Aníbal Jornalista sem estaçãoHá acontecimentos...
03/01/2026

𝗨𝗺 𝗼𝗹𝗵𝗮𝗿 𝗮𝗼 𝗔𝘁𝗮𝗾𝘂𝗲 𝗱𝗼𝘀 𝗘𝗨𝗔 𝗲 à 𝗖𝗮𝗽𝘁𝘂𝗿𝗮 𝗱𝗲 𝗡ic𝗼𝗹𝗮𝘀 𝗠𝗮𝗱𝘂𝗿𝗼

Professor Adilson Aníbal
Jornalista sem estação

Há acontecimentos que irrompem na história não como um trovão isolado, mas como o desfecho de uma tempestade longa, silenciosa e acumulada. O anúncio feito por Donald Trump, na madrugada de sábado, de um ataque dos Estados Unidos à Venezuela e da captura de Nicolas Maduro, ainda envolto em versões, confirmações cruzadas e disputas narrativas, inscreve-se exactamente nesse registo: o da rutura, não o da surpresa.

𝗜𝗻𝗰𝘂𝗿𝘀ã𝗼 𝘀𝗶𝘁𝘂𝗮𝗰𝗶𝗼𝗻𝗮𝗹: 𝗾𝘂𝗮𝗻𝗱𝗼 𝗮 𝘁𝗲𝗻𝘀ã𝗼 𝗱𝗲𝗶𝘅𝗮 𝗱𝗲 𝘀𝗲𝗿 𝗿𝗲𝘁ó𝗿𝗶𝗰𝗮

A relação entre Washington e Caracas viveu, durante anos, numa zona cinzenta de hostilidade controlada. Sanções económicas severas, isolamento diplomático, acusações de narcotráfico e violações de direitos humanos foram substituindo o diálogo por pressão. A Venezuela, por seu turno, respondeu com alianças estratégicas com Rússia, China e Irão, transformando-se num ponto sensível do xadrez geopolítico no hemisfério ocidental.
O ataque anunciado, se confirmado nos seus termos, representa a passagem do confronto indireto para a acção direta. É o momento em que a linguagem da força se sobrepõe à diplomacia e em que a soberania deixa de ser um princípio inviolável para se tornar uma variável política.

𝗔 𝗶𝗻𝗰𝗶𝗱ê𝗻𝗰𝗶𝗮: 𝗰𝗮𝗽𝘁𝘂𝗿𝗮𝗿 𝘂𝗺 𝗰𝗵𝗲𝗳𝗲 𝗱𝗲 𝗘𝘀𝘁𝗮𝗱𝗼

A eventual captura de um presidente em exercício por forças estrangeiras é um gesto de enorme carga simbólica. Não é apenas a neutralização de um líder; é a mensagem de que o poder global pode atravessar fronteiras, instituições e mandatos populares quando considera esgotadas as alternativas.
Mesmo que Washington invoque razões de segurança, combate ao crime transnacional ou restauração da democracia, o precedente é pesado. A história recente ensina que derrubar é sempre mais fácil do que estabilizar, e que o vazio de poder costuma ser fértil para conflitos prolongados.

𝗤𝘂𝗲𝗺 𝗽𝗼𝗱𝗲 𝗿𝗲𝗮𝗴𝗶𝗿 𝗮𝗼𝘀 𝗘𝗨𝗔, 𝗿𝗲𝗮𝗹𝗶𝘀𝘁𝗶𝗰𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗲?

Aqui impõe-se o realismo cru, despido de retórica ideológica.
Nenhum Estado possui, hoje, capacidade ou interesse para enfrentar militarmente os Estados Unidos por causa da Venezuela:
A Rússia está estrategicamente condicionada por outros teatros de conflito.
A China privilegia influência económica e paciência estratégica, não confrontos diretos.
O Irão actua por vias indiretas e regionais.
A América Latina, apesar da indignação política, carece de coesão militar e consenso estratégico.
As respostas, portanto, tendem a ser diplomáticas, económicas ou assimétricas, sanções, isolamento político, pressão em organismos multilaterais, ciberconflitos, guerra de narrativas. Não tanques contra tanques.

𝗘 𝗼 𝗮𝗴𝗿𝗲𝘀𝘀𝗼𝗿? 𝗧𝗮𝗺𝗯é𝗺 𝗽𝗮𝗴𝗮 𝘂𝗺 𝗽𝗿𝗲ç𝗼

A ideia de omnipotência é sempre tentadora para impérios, e sempre enganadora.
Mesmo que a operação seja militarmente bem-sucedida, os EUA enfrentam consequências sérias:
Erosão da legitimidade internacional, sobretudo no Sul Global.
Reforço do discurso antiamericano, que ganha nova energia e argumentos.
Fragilização do direito internacional, abrindo espaço para que outras potências justifiquem acções semelhantes.
Instabilidade regional prolongada, com impacto migratório, energético e político.
O poder que age sem consenso pode vencer batalhas, mas perde autoridade moral, e isso cobra juros altos no médio e longo prazo.

𝗩𝗲𝗻𝗲𝘇𝘂𝗲𝗹𝗮 𝗱𝗲𝗽𝗼𝗶𝘀 𝗱𝗲 𝗠𝗮𝗱𝘂𝗿𝗼: 𝗮 𝗶𝗻𝗰ó𝗴𝗻𝗶𝘁𝗮 𝗺𝗮𝗶𝗼𝗿

A remoção de um líder não resolve, por si, crises estruturais. Instituições frágeis, polarização extrema, economia devastada e forças armadas politizadas não desaparecem com a saída de um nome do palácio presidencial.
O risco maior não é o colapso imediato, mas a normalização da expceção: governos de transição frágeis, tutela externa implícita ou o surgimento de um novo autoritarismo com outro rosto.

𝗖𝗼𝗻𝗰𝗹𝘂𝘀ã𝗼: 𝗼 𝗺𝘂𝗻𝗱𝗼 𝗽ó𝘀-𝗹𝗶𝗻𝗵𝗮 𝘃𝗲𝗿𝗺𝗲𝗹𝗵𝗮

Se confirmado nos seus contornos essenciais, este episódio marca algo mais profundo do que uma mudança na Venezuela. Marca a consolidação de um mundo em que as linhas vermelhas são redesenhadas unilateralmente e em que a força volta a ser argumento central da política internacional.
Os Estados Unidos podem ter capacidade para agir. A pergunta que ficará na história é outra:
terão fortalecido a ordem global ou apenas mostrado o quão frágil ela se tornou?
Num mundo assim, a vitória nunca é absoluta. E as consequências raramente respeitam fronteiras.

Siga minha página
https://www.facebook.com/profile.php?id=61578107942129

𝗨𝗠 𝗢𝗟𝗛𝗔𝗥 À 𝗠𝗢𝗥𝗧𝗘 ( 𝗽𝗲𝗹𝗮 𝗷𝗼𝘃𝗲𝗺 𝗚𝗲𝗻𝘆)Professor Adilson Aníbal Jornalista sem estação    Há nomes que, quando pronunciados,...
03/01/2026

𝗨𝗠 𝗢𝗟𝗛𝗔𝗥 À 𝗠𝗢𝗥𝗧𝗘 ( 𝗽𝗲𝗹𝗮 𝗷𝗼𝘃𝗲𝗺 𝗚𝗲𝗻𝘆)

Professor Adilson Aníbal
Jornalista sem estação

Há nomes que, quando pronunciados, pedem silêncio antes e depois. O teu é assim. Jovem destacada no cargo pastoral da Igreja Metodista Unida São Paulo, serviste com dedicação onde muitos apenas passam. Ocupaste cargos relevantes na juventude e na organização de jovens adultos, com destaque para a função de directora, não como quem busca título, mas como quem entende missão. Conheci-te simpática, acessível, de sorriso fácil e fé profunda. Devota sem rigidez, firme sem arrogância, espiritual sem deixar de ser humana. A tua presença fazia bem, e isso é um dom raro.

Morreste cedo. Trinta e poucos anos.
Idade em que a vida ainda conjuga verbos no futuro.
E, no entanto, partiste como quem lembra aos vivos que a vida é apenas um sopro, breve, delicado, imprevisível. Morremos num piscar de olhos. Não há aviso prévio. Não há ensaio geral. Há apenas o agora.
A morte, quando chega assim, jovem e injustificável aos olhos humanos, transforma-se numa carta aberta. Não fala aos mortos, fala aos vivos. Grita onde antes sussurrávamos. Interrompe rotinas, desorganiza certezas, expõe a fragilidade que insistimos em maquilhar com planos longos e promessas adiadas.

A morte de Geny obriga-nos a perguntar:
Estamos vivos ou apenas ocupados?
Vivemos como se o tempo fosse um contrato vitalício. Adiamos abraços, adiamos perdões, adiamos sonhos, adiamos Deus, como se a eternidade estivesse garantida e o presente fosse descartável. Mas a vida não se vive depois. Vive-se agora. Neste instante que passa e não volta.
Ser cristão não é abdicar da vida.
É compreendê-la em profundidade.
Há um equívoco perigoso que associa fé à renúncia do prazer, como se Deus fosse inimigo da alegria. Não é. O Deus da vida não nos chama para uma existência cinzenta, mas para uma vida com sentido. Aproveitar a vida não é profanar; é honrar. É rir sem culpa, amar sem reservas, celebrar sem excessos, descansar sem remorso. É viver intensamente, mas com propósito. É desfrutar do dom sem idolatrar o dom.
Geny viveu assim. Serviu a Deus sem se esconder da vida. Liderou sem perder a ternura. Creu sem perder a humanidade. E talvez por isso a sua ausência doa tanto: porque vidas bem vividas deixam silêncios profundos.
A morte ensina, ainda que ninguém queira aprender por ela. Ensina que cargos passam, agendas acabam, aplausos cessam. O que permanece é o impacto. O rasto. A memória do bem feito. A fé praticada. O amor oferecido.
Hoje, Geny não fala, mas a sua morte fala por ela.
Diz-nos: vive.
Vive reconciliado. Vive com coragem. Vive com Deus no centro, mas com os pés na terra. Vive o hoje como quem sabe que o amanhã é promessa, não garantia.
A morte não tem a última palavra.
Mas tem sempre uma pergunta final:
O que fizeste com o tempo que te foi dado?
Que a vida de Geny, e a sua partida, modele a vida dos muitos que ficam.
Que não esperemos o luto para acordar.
Que não precisemos de funerais para lembrar que estamos vivos.

Siga as minhas páginas
https://www.facebook.com/profile.php?id=61578107942129

https://www.facebook.com/profile.php?id=100075999682940

METODISTA E OUTRAS IGREJAS CENTENÁRIAs MANTÉM BOCAS FECHADAS PERANTE AS  BALBÚRDIAS QUE OCORREM EM LUANDAAntes que se le...
28/07/2025

METODISTA E OUTRAS IGREJAS CENTENÁRIAs MANTÉM BOCAS FECHADAS PERANTE AS BALBÚRDIAS QUE OCORREM EM LUANDA

Antes que se levantem vozes apressadas para distorcer a intenção deste texto, deixo claro: a Igreja — e aqui falo da Igreja enquanto corpo espiritual e moral — não é uma instituição partidária, tampouco deve servir-se de bandeiras político-partidárias. No entanto, POSICIONAMENTO é o que se exige. A ausência de voz institucional, em tempos de caos, é uma omissão tão ruidosa quanto qualquer silêncio cúmplice.

Onde está a comunicação institucional da Igreja Metodista Unida? Onde se esconde o verbo das outras igrejas centenárias, como a Igreja Baptista, a Igreja Evangélica e Congregacional? Como se calam diante do crescente número de violações, de adolescentes sem rumo, de famílias sem pão e de cidades sem paz - o povo está a morrer e a igreja mantém-se cala?

Vou dar um exemplo de posicionamento:
Nós, igreja Metodista, condenamos todo tipo de violência e ações que reflictam injustiça social - Somos pelo amor ao próximo e ao bem-estar colectivo. Percebeu?

A Igreja não é objectivamente política — mas é, e sempre foi, um baluarte ético, uma reserva moral* da sociedade. Se essa reserva permanece muda diante da dor pública, de que vale a sua antiguidade, seus sínodos, seus sermões e sua suposta relevância social?

Faltam notas oficiais. Faltam comunicados pastorais. Faltam posicionamentos com a autoridade de quem há décadas afirma representar os valores cristãos.Enquanto outras organizações civis, ONGs, até influenciadores se posicionam e orientam consciências, a Igreja parece satisfeita com liturgias dominicais e cultos solenes, como se a cruz que carrega não exigisse, também, denúncia.

É inadmissível que, diante da normalização da fome, do estupro, da delinquência juvenil, da corrupção e da miséria espiritual, a Igreja se cale. A mesma Igreja que exige fidelidade dos seus membros, que cobra dízimos e ofertas, e que se fortalece com a força do povo, deve, minimamente, defendê-lo.

A Igreja não pode ter outro lado que não o da justiça, da verdade e da vida. Se a sociedade desmorona e a Igreja se cala, então que papel ela cumpre? Litúrgico apenas?

Hoje, clama-se por uma comunicação institucional robusta, corajosa e profética. Uma voz pastoral que oriente, que denuncie e que inspire acções concretas. O púlpito precisa retomar a sua função de orientação espiritual e social — e não apenas ser palco de discursos devocionais descolados da realidade.

O poder da Igreja centenária não reside apenas na sua longevidade, mas na sua capacidade de intervir com autoridade moral. Que não seja lembrada apenas como um lugar de culto, mas como *farol em tempos de escuridão.

Se calar-se é a nova forma de neutralidade, então é bom lembrar: quem cala, consente. E quem consente, participa.

Professor Adilson Aníbal - o Colunista!

25/07/2025

Maternidade Não Se Questiona — Respeita-se"

Ofender e denigrir as competências de uma mulher cuidar de uma criança - isso é denigrir uma mulher...um desumano.

Questionar a maternidade de uma mulher é mais do que um juízo apressado — é um atentado silencioso à dignidade, à entrega, e à complexidade de um papel que é vivido de formas únicas, muitas vezes invisíveis.

Quando se insinua que uma mãe “não faz o suficiente”, “não tem jeito para cuidar”, “fala demais com o filho”, “não tem paciência”, ou mesmo quando se compara com outras mães como se existisse uma régua universal para amar e educar — está-se, na verdade, a minar o chão que ela pisa.

A maternidade não é um padrão. É uma travessia. Há mães que trabalham fora e voltam exaustas, mas que ainda se curvam diante dos filhos com carinho. Há mães que erram, choram e tentam outra vez. Há mães que educam com firmeza, outras com suavidade — e ambas se doam. A maternidade é, acima de tudo, uma decisão emocional de responsabilidade.

Questioná-la, de forma leviana ou cruel, é esquecer que nem todas as batalhas da maternidade são visíveis. Muitas são silenciosas — como as noites mal dormidas, as culpas escondidas, as renúncias constantes. Dizer a uma mulher que “ela não parece mãe” é igual a acusar um soldado ferido de não ter lutado.

A dignidade da maternidade não está no olhar externo. Está no coração de quem, com falhas ou acertos, se compromete a cuidar, formar e amar — mesmo quando o mundo desvaloriza ou não entende.

Respeitem as mães. Sobretudo, respeitem a maternidade que não conhecem.

Professor Adilson Aníbal - O Colunista.

24/07/2025

Filipa António, processa-me se quiser – Mas isso é promoção da prostituição disfarçada de opinião

Num tempo em que ser influencer virou profissão e visibilidade se confunde com autoridade, o vídeo recentemente publicado por Filipa António revela mais do que ousadia: revela intenção. Quando alguém que se apresenta como referência pública, sobretudo para os mais jovens, utiliza sua plataforma para “opinar” sobre o preço da prostituição – ainda que em tom crítico – é inevitável perguntar: quem está a ser influenciado? E para quê?

Se ser influencer é, por definição, influenciar, então está claro que esse vídeo não foi um mero desabafo: foi uma tentativa camuflada de tornar palatável aquilo que deve ser combatido. É promoção disfarçada. Embalada num discurso aparentemente reflexivo, a mensagem tem alvos e efeitos: tornar comum o que devia escandalizar, e normalizar o que fere profundamente os valores humanos e sociais.

Filipa fala com convicção e leveza sobre a troca do corpo por dinheiro. Diz que “a prostituição sempre existiu”, como se a história justificasse o presente. Mas há uma diferença brutal entre compreender uma realidade e promovê-la sob o pretexto de “abrir os olhos”. Opinar com milhões a ver não é inocência, é estratégia. Disfarçar conteúdo intencional com futilidade aparente é técnica – e perigosa.

Sim, Filipa, processa-me se quiseres. Mas é preciso lembrar: opinião não pode ser escudo para banalização, e influência não deve ser usada para corroer o que ainda nos resta de pudor e ética social.

Eu sou o Professor Adilson Aníbal - O COLUNISTA

Gilmário, travado pelo trava-línguaEra uma vez um homem que fazia o povo rir com a verdade. Um artista, não um agitador....
21/07/2025

Gilmário, travado pelo trava-língua

Era uma vez um homem que fazia o povo rir com a verdade. Um artista, não um agitador. Um cidadão, não um conspirador. Mas hoje, em plena era digital — onde a voz ecoa mais depressa que o papel carimbado — Gilmário Vemba foi travado à entrada de Maputo. Não por excesso de bagagem, nem por um visto vencido. Foi travado pelo trava-língua diplomático das razões "desconhecidas".

É curioso, porque o seu ofício é falar. Falar com graça, com coragem, com ironia. Mas, ironicamente, foi o seu falar que parece ter incomodado o silêncio político de alguns. Não se trata de humor, mas de receio. Não se trata de segurança, mas de censura discreta. Afinal, quando o artista sobe ao palco com um microfone, o poder sente-se nu.

Chamam-lhe “comediante”, mas sabem que ele é um dos poucos que conseguem denunciar sem gritar, acusar sem apontar o dedo. Talvez por isso, hoje, tentaram calar-lhe a voz com o mais velho dos truques: o silêncio administrativo.

Não houve nota oficial. Só um “não” mudo com um sorriso frio na fronteira. E todos sabemos que, nestes casos, quem cala consente… e quem consente, participa.

A fronteira fechada ao humor é também uma fronteira fechada ao pensamento. Hoje foi Gilmário. Amanhã, quem mais? O cidadão comum que ousa pensar diferente? O artista que canta uma verdade amarga?

Resta-nos rir, mas com gosto amargo. Porque quando o riso é travado, não é só a piada que morre — é a liberdade que engasga.

Professor Adilson Aníbal - O Colunista!

Faltou Internet – no século, uma coisa muito estranhaAcordámos com o silêncio das notificações. Os toques alegres dos gr...
19/07/2025

Faltou Internet – no século, uma coisa muito estranha

Acordámos com o silêncio das notificações. Os toques alegres dos grupos do WhatsApp desapareceram, as timelines pararam no tempo e os vídeos não carregavam mais. Era como se o século XXI tivesse tropeçado nas suas próprias promessas de conectividade global. E tudo por quê? Faltou internet.

No século da nuvem, da inteligência artificial e dos satélites espiões, a ausência súbita de internet é tão desconcertante quanto um eclipse em plena tarde de sol. Estranho. Incomum. Mas, em certos contextos, nem tanto. Em Luanda, quando a juventude decide levantar-se e manifestar-se contra o insuportável aumento dos combustíveis, a rede evapora misteriosamente. Coincidência? Talvez. Mas o povo já aprendeu a ler nas entrelinhas da conexão perdida.

É como se os cabos submarinos tivessem aprendido a obedecer ordens políticas. Como se os algoritmos fossem subitamente patrióticos e decidissem fazer greve para impedir hashtags, fotos de cartazes e vídeos ao vivo. Um apagão digital para escurecer as vozes analógicas.

Nas ruas, estudantes gritavam por dignidade, enquanto nas casas, os telefones gritavam por sinal. E entre o clamor e o silêncio, formou-se uma equação bem conhecida por estas bandas: manifestação + tensão = internet fora do ar.

Faltou internet, sim. Mas não faltou consciência. O povo sabe. Entende. Reconhece o padrão. A rede pode cair, mas as ideias permanecem de pé. Talvez os decisores esqueçam que a geração que hoje protesta não precisa de wi-fi para pensar. E que, mesmo desconectada, continua ligada à verdade.

Porque, afinal, no século da informação, desligar a internet já não impede que a realidade se espalhe. Ela encontra sempre um jeito. E o silêncio digital pode acabar gritando mais alto que qualquer megafone.

Professor Adilson Aníbal - o Colunista

Address


Website

Alerts

Be the first to know and let us send you an email when O Colunista posts news and promotions. Your email address will not be used for any other purpose, and you can unsubscribe at any time.

Shortcuts

  • Want your business to be the top-listed Grocery Store?

Share