29/04/2026
Você já viu a Parte 1.
Agora vem a Parte 2.
Há mais de 5.300 anos…
um assassinato nas montanhas.
Flechas. Facas. Cogumelos. E conhecimento.
Ötzi foi encontrado em 1991,
preso no gelo entre Itália e Áustria.
Seu corpo estava preservado pelo tempo.
Pele, órgãos, equipamentos…
Com ele, foram encontrados:
um arco inacabado,
flechas, faca, machado,
cordões de couro…
e dois cogumelos.
O arco dele estava inacabado.
Apenas 2 das 14 flechas estavam prontas.
Ele não estava em uma caçada planejada.
Ele estava fugindo.
E mesmo assim…
não soltou os cogumelos.
Sua última refeição incluía:
gordura de íbex alpino,
carne de cervo vermelho,
trigo antigo…
e traços de samambaia tóxica.
Uma das teorias sugere que ele pode ter ingerido isso
em um contexto ligado ao próprio corpo,
já que evidências apontam a presença de parasitas intestinais
(Maixner et al., Current Biology, 2018).
Então veio a flecha.
Pelas costas.
Uma ponta de sílex ficou alojada
próxima à escápula esquerda.
Quebrou o osso.
E atingiu a artéria subclávia.
Uma reconstrução forense recente identificou
um hematoma de cerca de 110 mL
(Villa et al., Int J Legal Med, 2025).
Nos equipamentos…
vestígios de sangue de diferentes pessoas.
Detectados por análise molecular
em faca, flechas e vestes
(Kutschera et al., Scientific Reports, 2012).
Entre tudo isso,
dois fungos.
Presos a um cordão.
Dois elementos.
Duas funções.
Fomes fomentarius
associado ao fogo.
Fomitopsis betulina
frequentemente citado em contextos naturais
ligados ao corpo.
Mais de 50 marcas no corpo.
Linhas feitas com carbono.
Distribuídas em regiões de desgaste
e desconforto físico.
Muito antes de registros semelhantes em outras culturas
(Dorfer et al., The Lancet, 1999).
5.300 anos.
Um assassinato sem resposta.
Um corpo que carregava fogo…
e recursos da natureza.
Cogumelos são historia, são conhecimento ancestral que atravessa o tempo.