20/10/2025
A dura realidade.
Agora que calor acalmou e que a prometida chuva parece ter regressado, posso respirar de alívio. Os meus olivais não arderam.
Este foi um verão duro no interior do país, com quase nenhuma chuva desde Junho e as temperaturas de Agosto a atingirem máximos de 44C e mínimas de 18C durante várias semanas consecutivas. Acrescentando-lhe agora ventos fortes e humidade quase inexistente, criaram-se as condições perfeitas para incêndios de grandes proporções.
E assim, na penúltima semana de Agosto, aconteceu o que eu já receava, um incendio florestal e agrícola, totalmente fora de controlo, que dizimou centenas de hectares de olival e amendoal, o fruto do trabalho de muitos anos. E se já é duro ver a paisagem assim queimada, é difícil imaginar a dor de ver o nosso olival carbonizado, todos os dias desde então.
Não quero com este texto discutir as causas deste incêndio ou a forma como o seu combate foi feito, mas sim porque tantos olivais e amendoais arderam, mesmo sendo bem geridos.
Já demonstrei várias vezes que sou grande adepto de medidas de conservação do solo, no caso do enrelvamento, em que a cobertura vegetal é cordada quando começa a secar, f**ando um tapete de erva seca de pouco mais de meio palmo. Pois foi este pequeno tapete de erva seca, impossível de remover exceto pela mobilização do solo, que se revelou ser o principal responsável pelo alastrar do fogo dentro dos olivais, como poderemos ver nas fotos. Ficou assim demonstrado que esta técnica não é suficiente para evitar que as nossas culturas ardam, mesmo que sendo giradas cuidadosamente.
Escrevo então publicamente para que quem o faz tenha presente que o perigo existe, e que o uso de uma técnica inovadora e sustentável como esta só poderá ser viável se reduzir o risco de incêndio a um mínimo próximo de zero, principalmente num contexto de alterações climáticas em que este tipo de fenómenos extremos se repete cada vez mais.
O que farei eu nos meus olivais?
Pretendo continuar a fazer enrelvamento com muito mais precaução e só em alguns casos. Por exemplo, em olivais rodeados de terrenos mal geridos ou abandonados, não o farei.
Nos terrenos a manter o enrelvamento, farei sempre um perímetro de segurança largo, assim como vários corta-fogos no seu interior. A erva será mantida bem curta durante o verão, em toda a extensão do olival. Estou ainda a estudar a possibilidade de adquirir também um kit de combate a incêndios.
Espero assim ter contribuído para enriquecer este assunto e ajudar a prevenir os meus colegas agricultores.