12/02/2026
Com o país em estado de alerta devido às cheias, fomos apanhados de surpresa por uma situação crítica na Lezíria de Vila Franca. Surgiu o risco real de rombo no dique do Tejo e de uma inundação grave no terreno onde vivem as nossas vacas e parte da nossa equipa. Em poucas horas, percebemos que tínhamos de agir - e agir já.
Sem tempo para preparar, fomos forçados a retirar tudo no próprio dia: pessoas, animais, palha, feno, ração, materiais, máquinas… toda uma operação montada ao longo de anos teve de ser desmontada e transferida de emergência. Foi um momento de enorme incerteza, mas também de união.
No meio da adversidade, tivemos a sorte de encontrar quem nos estendesse a mão. Um senhorio disponibilizou-nos um terreno temporário e seguimos para Alenquer. Lá, numa quinta que nos acolheu, começámos do zero: montar infraestruturas, reorganizar rotinas, garantir o bem-estar dos animais.
Houve um esforço incansável de toda a equipa para proteger o mais possível o que tínhamos em Vila Franca e manter o essencial para Alenquer: garantir higiene e conforto aos animais, mínimas condições para a equipa poder trabalhar, armazenar o alimento que conseguimos trazer e garantir que as vacas são bem ordenhadas pelo menos 1x por dia para continuarmos a produzir os nossos queijos, sem comprometer a qualidade do leite.
Está a ser muito exigente, com adaptação constante, mas também uma experiência interessante porque percebemos, na prática, que quando há vontade, entreajuda e propósito, tudo é possível.
Esperamos ansiosamente que o tempo melhore para que possamos voltar para Vila Franca porque é lá que temos neste momento a operação montada e a pastagem que, felizmente, não sofreu com as cheias, começa a estar pronta para ser pastada na primavera.