08/03/2022
Nem a propósito, por hoje se assinalar o dia internacional da mulher, é o dia perfeito para falar sobre interseccionalidade.
Este conceito foi criado a partir de círculos sociológicos no final dos anos 1960 e início dos anos 1970 em conjunto com o movimento feminista multirracial e diz-nos que as várias opressões que existem dentro da sociedade — tais como racismo, sexismo, classismo, colonialismo, patriarcalismo, machismo, capacitismo, xenofobia, LGBTfobia e intolerâncias baseadas em crenças — não agem independentemente umas das outras, mas que essas formas de opressão se inter-relacionam, criando um sistema de opressão que reflete o "cruzamento" de múltiplas formas de discriminação.
Não podemos deixar de adicionar a esta longa lista de preconceitos, o Especismo. E porque é que falamos hoje sobre isso? Porque nos esquecemos muitas vezes de olhar para as fêmeas de outras espécies e estender-lhes a nossa compaixão.
Num mundo onde lutamos contra a objetificação dos corpos das mulheres e a exploração dos mesmos, não podemos continuar a capitalizar com o corpo de outras fêmeas. Animais não-humanos do s**o feminino sofrem mais discriminação e é aí que entra a teoria da interseccionalidade. Elas sofrem de especismo (por não serem humanas) e por serem fêmeas, tendo os seus corpos explorados e capitalizados, o seu sistema reprodutor explorado e violado, as suas necessidades maternais ignoradas e a sua saúde naturalmente mais negligenciada.
Que hoje possamos refletir no papel que todos e todas temos na normalização da exploração dos corpos femininos e que possamos entender que a libertação tem obrigatoriamente que ser colectiva, ou não será!