10/08/2025
Os nossos figos estão atrasados por causa das podas que fizemos e das chuvas excessivas deste ano, mas alguns já estarão prontos no final do mês! Como está na época deles, viemos contar um pouquinho da nossa experiência nesse evento, além de compartilhar alguns dos nossos aprendizados.
O evento foi o “Amigos dos Figos e das Figueiras” organizado pelo grupo de Torres Novas “Produção de figos e figueiras” no Facebook. Ainda haverão outros eventos esse ano.
São centenas de tipos de figos em Portugal e pelo mundo! Em Portugal existem alguns com nomes muito engraçados como orelha-de-mula, colhão-do-mundo, fandanguinho e col de dama. Temos no terreno o figo-de-senhora e o cagadinho ou cagadinho-de-pardal. Por ser pequeno e escuro, os antigos, provavelmente às risadas, o associaram com um cocozinho. Ambos são figos doces e deliciosos. Algumas vezes, os nomes das figueiras são dados pelas pessoas e sequer tem um nome científico.
Há muito o que se estudar sobre as importâncias dos figos e figueiras e suas diversidades. No Algarve, existe um e-book, facilmente localizável pela internet, falando sobre os figos da região.
https://www.drapalgarve.gov.pt/images/destaques/Livro_WEB_Figueiras_1.pdf
No momento, o figo tradicional sofre uma tendência a acabar, porque não pagam os produtores o suficiente. Por isso, não há apanha, e grandes empresas estão os substituindo. Enquanto isso, os figos com agrotóxicos custam caríssimo nos supermercados. Onde você compra o seu figo?
Como disse Ron Finley: “Plantar sua comida é como imprimir seu próprio dinheiro.” Por isso, uma dica para quem quer ter sua própria figueira ou ter mais de uma espécie: para propagar é melhor enxertar por causa do tempo de colheita que diminui.
São muitas as tradições, curiosidades e delicias envolvendo figos e figueiras. Se souber de alguma, compartilhe nos comentários!
Recolhida em si mesma
a alma do figo
é flor em za-zen.
(Yeda Prates Bernis)
As figueiras são divididas em quatro grandes grupos (referentes à produção e polinização)
GRUPO 1 – COMUNS
Não precisam de polinização para produzir.
Podem ser uníferas ou bíferas.
GRUPO 2 – CACHOPOS (OU MOSCATÉIS)
São figos com aroma intenso, lembrando moscatel.
Não precisam de polinização, mas podem melhorar com ela.
GRUPO 3 – SÃO PEDRO / CAPRIFIGOS
Envolvem a relação com a vespa-do-figo (Blastophaga psenes).
O ciclo é curioso:
A vespa entra num figo macho (caprifigo) para depositar ovos.
Nesse processo, carrega pólen que irá fecundar figos fêmeas (comestíveis).
Quando o figo fêmea amadurece, a vespa já morreu dentro dele — mas ela só consegue entrar, não sair.
Algumas variedades de Ficus carica afegãs e mediterrâneas dependem desse ciclo para formar sementes viáveis (aquênios).
GRUPO 4 – ESMIRNAS (OU SMYRNA)
Origem na Turquia, considerados os melhores para secagem e exportação.
Necessitam obrigatoriamente de polinização (processo chamado caprif**ação).
Sem polinização, o fruto murcha e cai prematuramente.
Quando polinizado, incha e f**a grande, muito doce.
Os figos/figueiras ainda podem ser divididos em:
Lampos, Vindimos e Bífaros
· FIGOS LAMPOS → (uníferos) Primeira safra, no final da primavera/início do verão, crescem a partir de gomos do ano anterior.
· FIGOS VINDIMOS → (uníferos) Segunda safra, no final do verão/início do outono, nascem dos gomos formados na mesma primavera.
· BÍFAROS → Variedades que produzem duas colheitas (lampos + vindimos).
· TRÍFEROS → Produzem três colheitas no ano. Isso é raríssimo, em alguns cultivares especiais.
Você sabia?